Alunos criam piso sustentável que ajuda a evitar enchentes

Dhaiana Castro Franco e Eduardo Drachler, de Cascavel, passaram a trabalhar na ideia de um piso drenante sustentável, que absorve a água da chuva de modo que ela vá para o solo e evite enchentes.

Há um ano, Dhaiana Castro Franco e Eduardo Drachler entraram com tudo em um projeto novo com foco em infraestrutura urbana, mobilidade e sustentabilidade. Estudantes da terceira série integrada do Curso Técnico em Edificações do Centro Estadual de Educação Profissional Pedro Boaretto Neto, em Cascavel (Oeste), passaram a trabalhar na ideia de um piso drenante sustentável, que absorve a água da chuva de modo que ela vá para o solo e evite enchentes.

A proposta surgiu depois que a dupla observou os problemas locais e concluiu que o pavimento usado atualmente colabora para situações de enchente. Ainda, segundo eles, os esgotos espalhados pela cidade já não dão conta do escoamento da água da chuva devido ao alto volume de lixo que é jogado de forma incorreta.

Produtos similares já existem, mas no caso deles a produção tem como base matéria-prima reutilizada, como pedaços de concreto, vidro e borrachas, provenientes do excedente de construções. “O objetivo é reduzir a taxa de alagamento que há nas cidades. Aqui em Cascavel, não era tão comum ver essas poças que se formam quando chove, mas há um tempo elas começaram a surgir. A ideia é minimizar isso com algo que seja bom para o meio ambiente”, conta Dhaiana.

A atividade é extracurricular, feita no contra turno das aulas, e faz parte da grade de iniciação científica do curso. Os alunos são orientados por uma professora com experiência na área de construção civil.

Nesse primeiro momento, o projeto, que segue as normas técnicas brasileiras do setor, está em fase de aperfeiçoamento. O piso drenante já pode ser usado em áreas residenciais, onde passam pedestres e veículos leves, como patinetes ou bicicletas.

ASFALTO - A meta, porém, é chegar a um tipo de asfalto capaz de suportar carros e ônibus. E apoio para isso não falta. Depois de apresentarem o trabalho em uma feira local, os estudantes, que já têm uma parceria com a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), receberam três propostas de empresas do setor privado para dar continuidade aos testes em conjunto.

DE OLHO NO FUTURO - Para Dhaiana, que tem 17 anos e quer cursar Engenharia Civil, buscar novas formas de desenvolvimento urbano é fundamental. Ela acredita que a preservação ambiental é uma bandeira que deve ser levantada por todos, independentemente da área de atuação profissional.

“Na minha opinião, a sustentabilidade é algo que não pode faltar em projetos da área. A gente sempre tem que pensar no meio ambiente, pois dependemos dele. É a nossa casa, precisamos cuidar”, afirma.

Além desse projeto, outros seis, de diversas áreas tecnológicas, estão em andamento no Núcleo de Iniciação Científica do CEEP de Cascavel. A diretora da instituição profissionalizante, Sandra Regina de Andrade Tambani, diz que o apoio a estudos inovadores é fundamental. Ela defende que propostas como a do piso drenante sustentável mostram que o ensino técnico traz resultados gratificantes.

“Acreditamos no aluno que tem comprometimento, criatividade, autonomia e visão empreendedora. Nosso principal objetivo é formar para o mundo, e não apenas focar na empregabilidade. Em qualquer curso que o aluno esteja, o conhecimento deve ser usado como ferramenta para mudar o ambiente dele, o local em que vive. Deve ser algo transformador”, afirma.

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