Clima reduz safra paranaense, mas preços permanecem bons para os produtores

Boletim mensal divulgado pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento indica um volume de 19,9 milhões de toneladas, 12% menor que a safra anterior.

O Paraná vai colher na safra de grãos de verão 2018/2019 um volume de quase 20 milhões de toneladas, o que deve ficar 12% abaixo do volume da safra anterior. Apesar da perda, os preços dos principais produtos permanecem bons para os produtores. Este prejuízo na produtividade foi causado pelo clima, de acordo com boletim mensal do Deral, Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, divulgado nesta sexta-feira. Segundo o economista do Deral, Marcelo Garrido, houve períodos de estiagem, chuvas excessivas e altas temperaturas ao longo do ciclo de desenvolvimento das principais culturas como soja, milho e feijão. Para o secretário da Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, a expectativa agora é com o desempenho da segunda safra de grãos, que está em desenvolvimento no campo, com tendência a ser promissora devido ao clima estar mais ameno e com um regime de chuvas que ajuda a recuperar parte das perdas. Garrido explicou que o Deral estima um volume total superior a 13 milhões de toneladas de grãos na segunda safra, que tem como carro-chefe o milho. Apesar das perdas impostas pelo clima, os preços praticados no mercado estão bons para soja, milho, feijão. Provavelmente estarão bons também para o trigo, que tem previsão de estabilidade no tamanho da área plantada. O Deral avalia que os produtores podem alterar as decisões de plantio de feijão da segunda safra e de trigo, em função da elevação nos preços desses dois produtos aos consumidores. Por enquanto, a colheita da soja segue em andamento, e a safra foi mais prejudicada para os produtores que anteciparam o plantio nas regiões Oeste e Sudoeste, conforme explicou Marcelo Garrido. Segundo Garrido, considerando o preço da soja praticado pelo mercado, de 70 reais a saca em média, possível calcular um prejuízo de três bilhões e 700 milhões de reais com a perda de três milhões e 200 mil toneladas de grãos. As perdas se estenderam também para as regiões Norte, Noroeste e Norte Pioneiro por causa da incidência de períodos com temperaturas muito elevadas no mês de janeiro. Ocorreram chuvas, mas não foram suficientes para a recuperação de lavouras. Por outro lado, a maior parte da lavoura plantada mais tarde se desenvolveu bem. O excesso de calor acelerou o ciclo das plantas e a colheita está bem adiantada em relação ao ano passado. Atualmente 42% da área plantada foi colhida. Garrido informou que o preço da soja é considerado satisfatório pelos produtores e representa um aumento de 8% em relação aos preços praticados no mesmo período do ano passado. A tendência era de queda no preço porque a produção foi grande no mercado externo, mas fatores econômicos, como relação China e Estados Unidos e a cotação do dólar, estão mantendo o valor da cotação atual da soja. Outras informações sobre a produção agrícola na safra de verão estão disponíveis no site www.aen.pr.gov.br.

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